sábado, 13 de novembro de 2010

A saga do banheiro (ou) vivendo e aprendendo

Já que eu falei de cocô no último post, o assunto continua oportuno. Depois daquele banho de balde do Pedro que mencionei, a Déia e a Bela vieram me visitar. Eu andava toda neurótica atrás da Bela para ela não sujar nada, porque a casa estava um brinco e ela toda suja de brincar na pracinha, com os pés marrons.
Era tarde da noite quando elas se preparavam para ir embora, então a Bela quis usar o banheiro. Aí o meu dia perfeito começou a virar pesadelo. Quando a Déia foi no banheiro dar descarga, deu um grito de terror, como só ela sabe dar. Resumindo, transbordou tudo, inundou o banheiro. Primeiro,  fiquei de cara com a reação da Déia, porque achei que tinha acontecido alguma coisa pior (sim, foi um grito terrificante). Depois, eu fiquei em estado de choque, só não comecei a gritar e a chorar porque tinha um bebê no meu colo e uma criança de quatro anos mais apavorada do que eu. Alguém tem que ser o adulto nessas horas. A Bela me disse: tia Sá, estou tremendo. E a gente dizendo que não era culpa dela, mas ela queria saber como tinha acontecido aquilo. Não tinhamos idéia, então respondiamos: essas coisas acontecem - o que não a acalmava. A Déia ficou quase uma hora limpando aquela porcaria (palavra muito apropriada) e a Isa nervosa na minha volta, falando sem parar e perguntando coisas como:

- Por que você deu o nome de Pedrinho para ele?

- Porque foi o nome que escolhi.

- Eu queria que se chamasse Amareno.

- Então quando você tiver um filho, dá esse nome para ele.

- Tudo bem, não tem problema, ele pode se chamar Pedrinho.

Quando o rapaz do conserto veio aqui, quis saber se eu tinha jogado alguma coisa na privada. Eu falei que não, só água do balde. Mas só água não ia entupir, tem certeza que não tinha nada no balde? Fez-se a luz na minha cabeça tonta: lembrei que tinha colocado uma fralda de pano no fundo do balde para o Pedrinho sentar em cima. Depois do banho, a água turva de sabonete, não vi mais a fralda e, num daqueles rápidos momentos de folga, joguei tudo no vaso sanitário.

Lições de vida:
* quanto mais você se esforça para manter tudo sob controle e funcionando lindamente, mais você descobre que isso não é possível
* quando você acha que está sendo punida pelo divino, na verdade só está arcando com as consequências de suas próprias ações
* chega um momento na vida em que você deixa de ser filha e passa a ser mãe: é maravilhoso, é um grande salto e não tem como voltar atrás (mesmo que dê vontade, às vezes)

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